Narrativa Interativa: Autoral ou Emergente?

Um jogo pode ser visto como uma narrativa interativa que promove intensamente a imersão, proporcionando ao jogador uma experiência de entretenimento, de ensino ou reflexão. Isso acontece a partir da combinação de duas formas de narrativa: autoral e emergente.

Narrativa Autoral ou Integrada
A história que serve como ponto de partida para que se defina o objetivo do jogo e sua própria dinâmica de interação é chamada de narrativa autoral ou narrativa integrada.

Narrativa Emergente
A narrativa que surge da experiência do jogador com as regras, e vai emergindo durante a sua trajetória no jogo e sua interação com o universo proposto é a narrativa emergente.

Narrativa autoral X narrativa emergente
A narrativa autoral ou integrada guarda princípios de composição clássicos, como contextualização, estabelecimento de premissas, identificação de um conflito principal, características e habilidades de personagens ou agentes etc, enquanto a narrativa emergente surge da experiência do jogador com as regras e a sua trajetória no jogo ao interagir com o universo proposto. Um criador de narrativas para jogos deve estar consciente da necessidade de articulação da narrativa autoral com a narrativa emergente.

 

Pra que serve uma narrativa?
Uma história precisa parecer real? Ou a mensagem que ela quer passar é mais importante que isso? Se a mensagem for o que mais importa, as personagens servirão à moral da história, mas se o foco for a coesão, o importante será que as personagens ajam como pessoas reais, segundo suas próprias motivações.

Pra que serve um jogo?
O jogo enquanto narrativa pode ensinar conceitos de certo e errado, propagando a sabedoria, fundamentando usos educativos e artísticos, ensinando através da experiência. Já o jogo enquanto entretenimento possui um peso maior na imersão da experiência em si, através da simulação em ambientes que podem nem sequer existir.

Interação e imersão
Jogos são interativos, no entanto, eles não são os pioneiros da interação. Ao fazer perguntas ao narrador, identificar um músico que repete um refrão mais uma vez porque o público está cantando junto ou mesmo marcar a página de um livro, estamos interagindo em diferentes graus de imersão.

Quanto mais alto o nível de interação de um jogo ou de uma narrativa, maior a capacidade de imersão da obra. Uma descrição de cenário detalhada pode ser estimulante para a imaginação, mas a imaginação de cada pessoa é única e individual, dizer o que uma pessoa deve pensar ou sentir é um posicionamento autoritário, que pode funcionar bem em narrativas interativas ou não.

Um cenário de filme é concreto e autoritário, já está pronto e não permite modificações. Já em um jogo, o usuário pode testar o ambiente para descobrir o que acontece, e isso faz da experiência de jogar uma atividade interativa com a sensação de um certo nível de imersão. Cabe ao autor intensificar essa sensação.

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